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A realização do café da manhã é Considerada um hábito de vida saudável e equilibrado. Normalmente distribui-se cerca de 15 a 30% do valor energético total da dieta para esta refeição. O café da manhã representa a primeira refeição consumida em um período de duas horas após o sono mais longo em qualquer período de 24 horas. Indivíduos que mantêm um hábito regular de realizar o café da manhã têm um estilo de vida “saudável” com prática regular de atividade física, menor consumo de lanches intermediários e mais seletividade na escolha dos alimentos.

Na década de 1960 a nutricionista Adelle Davis preconizava: coma o café da manhã como um rei, almoce como príncipe e jante como um pobre. Mas será que esta refeição não está supervalorizada? Estudos recentes vêm demonstrando que sim. O brasileiro tem como a maior refeição o almoço, seguido pelo jantar, o café da manhã e lanches intermediários. Em países Europeus como Inglaterra e França, por exemplo, o jantar é a principal refeição. Precisamos sempre levar em consideração a cultura e os hábitos de vida de uma população até para avaliar e prescrever um programa alimentar personalizado.

Efeito do café da manhã sobre o apetite

Os estudos transversais (estudos observacionais) correlacionavam a realização do café da manhã com o menor IMC, mas não havia estudo direto de causa e efeito, eram apenas “observacionais” (indivíduos que apresentavam peso adequado consumiam o café da manhã). Isso levou à correlação de que a retirada do café da manhã levaria ao aumento da ingestão alimentar ao longo do dia e redução do gasto energético. Usualmente o café da manhã é suprimido para reduzir a ingestão total de calorias com o objetivo de perda de peso.]

Estudos demonstraram que o consumo de café da manhã suprime o apetite durante a manhã, mas esse efeito parece ser transitório, já que a primeira refeição consumida após o café da manhã (por exemplo o almoço) parece compensar o apetite de forma similar, independentemente do consumo do café da manhã.

A questão é: as pessoas conseguem ser seletivas na escolha dos alimentos (qualidade alimentar) e no porcionamento das preparações (quantidade de alimentos) quando estão com mais fome ou por um longo perído sem se alimentar? Quando comemos com muita fome, normalmente, preferimos preparações mais quentes e cremosas, comemos de forma mais rápida e queremos alimentos que nos dão prazer, o que pode alterar a escolha das preparações reduzindo o consumo de saladas, verduras e legumes.

Estudos realizados com indivíduos magros e indivíduos obesos que comparam a ingestão do café da manhã e a omissão do café da manhã, demonstraram que indivíduos magros não compensam a ingestão energética ao longo do dia por não ter realizado o café da manhã. Entretanto, o grupo de indivíduos obesos que omitiram o café da manhã observou-se maior compensação de ingestão de alimentos à tarde e noite, prejudicando a perda de peso.

Estudo de Reeves e colaboradores (2014) avaliou o efeito da omissão de café da manhã sobre a ingestão diária de alimentos em 37 indivíduos com peso adequado (IMC 18,5 a 24,9 kg\m2) e com excesso de peso. O estudo revelou efeitos significativos do tempo na ingestão de energia. Mais energia foi consumida durante a tarde na semana sem café da manhã em comparação com a semana do café da manhã. Os participantes com sobrepeso consumiram maiores quantidades de energia no início da noite do que os participantes de peso normal. Todos os grupos consumiram significativamente menos energia, carboidratos e fibras na semana sem café da manhã, entretanto os indivíduos com excesso de peso aumentaram a ingestão de açúcar.


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Cris Perroni

Cris Perroni

Especialista em Nutrição Clínica, Nutrição Esportiva, Performance Humana e Emagrecimento. Trabalha com consultoria e assessoria na área de nutrição. Elaboração de Texto e Assessoria em Nutrição para o Site Eu Atleta. Nutricionista da Assessoria Esportiva de Corrida Equipe Filhos do Vento