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Frequentemente surgem novos programas ou alimentos emagrecedores. É uma busca incessante e desesperadora por milagres ou algo que ainda não tenhamos realizado. Entretanto, o que observo são “velhas dietas” com uma nova “roupagem” ou promessas mentirosas sem nenhum fundamento científico.

Fui questionada por uma paciente no consultório sobre um “novo programa” para perda de peso que se denominava “Flexible diet”. A “inovação” era a distribuição individualizada de macronutrientes e micronutrientes. Inovação? No terceiro ou quarto período da faculdade de nutrição aprendemos a calcular “a mão” dieta para determinado indivíduo onde dividimos proteínas, carboidratos, lipídeos e energia (calorias) com uso de tabelas de composição dos alimentos, além de micronutrientes (vitaminas e minerais como: cálcio, ferro, vitamina A…).

Todo programa alimentar deve ser individualizado de acordo com objetivos, história clínica, preferências alimentares, análise de exames, prática esportiva e estilo de vida. Não é algo tão simples ou que possa ser acompanhado a distância.

Dieta significa “estilo de vida”. Mas quando precisamos fazer um programa para perda de peso deve estar associado a mudanças no comportamento para aumentar o gasto energético e reequilibrar a ingestão alimentar promovendo balanço energético negativo. O aumento do gasto energético pode ser alcançado com estilo de vida mais ativo e a prática regular de exercício físico.

Em relação à alimentação, normalmente, os programas criam um déficit energético de 500 a 1000 calorias para redução de 500g a 1kg por semana. A melhor dieta é aquela que mais se aproxima do estilo de vida do indivíduo, hábitos que possam ser incorporados e que promovam mudanças na alimentação por toda a vida. Não se deve nem considerar dietas já “vetadas” por entidades médicas (SBEM, ABESO …), como a “Dieta do HCG”, por exemplo.

São frequentes dietas com baixas calorias, utilizando 1000 a 1200 calorias diárias e dietas de muito baixas calorias (very low calories diets) com 500 a 800 calorias diárias. Nos seis primeiros meses promovem maior perda de peso do que as dietas “convencionais”, entretanto há maior chance de reganho. No período de um ano os resultados conseguidos com os diferentes tipos de “dietas” são muito similares.

Dietas muito restritivas, monótonas e rígidas não são sustentáveis, são utilizadas por um período limitado de tempo e não promovem mudança no comportamento. Com alta restrição energética é impossível atingir as recomendações de macro e micronutrientes. Elas normalmente excluem determinados grupos alimentares e possuem alta correlação com compulsão alimentar e outros distúrbios alimentares. Podem oferecer riscos à saúde.

Qualquer dieta hipocalórica se sustentada a longo prazo leva à perda de peso. O sucesso do programa alimentar para redução do peso e da gordura corporal se dá ao atingir e manter o peso perdido. Não existe alimento, dieta ou exercício mágico que seja “emagrecedor”. É necessário mudança no estilo de vida, adquirir hábitos de vida saudáveis, ter foco nos seus objetivos e estar pronto para negociar. Procure profissionais habilitados, com ética, que façam “ciência” e que trabalhem em equipe. Não se deixe enganar por promessas tentadoras. Ter uma “boa composição” corporal requer investimento em você!


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Cris Perroni

Cris Perroni

<p>Pós graduada em Ciência da Performance Humana pela UFRJ, Eepecialista em Nutrição Clínica, Nutrição Esportiva e Emagrecimento Nutrição clínica. Trabalha com consultoria e assessoria na área de nutrição. Elaboração de Texto e assessoria em Nutrição para o Site Eu Atleta.</p>