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O Comitê Olímpico Internacional reuniu um grupo de especialistas e introduziu um novo termo para avaliar riscos e tratamento para proteger atletas. O termo “Deficiência de Energia Relativa no Esporte (RED-S) está relacionado com uma inadequação de disponibilidade de energia para atender as demandas metabólicas do corpo e da prática esportiva. Ocorre por um desequilíbrio entre o consumo e o gasto energético. Pode acometer atletas amadores ou de alto rendimento, femininos e masculinos.

A grande pressão por resultados, a preocupação excessiva com a estética, desordens alimentares, a busca por um peso mais baixo ou treinamento excessivo pode levar a um desequilíbrio entre ingestão energética e gasto energético.

Disponibilidade energética é a quantidade de energia que resta ao organismo após descontado o gasto com o exercício. É o que sobra para o organismo utilizar em funções básicas homeostáticas a fim de preservar a saúde e manter o desempenho esportivo adequado.

Disponibilidade energética = consumo calórico na dieta – gasto energético com o exercício / massa magra (FFM – fat free mass)

Entretanto, o valor de referência ainda não é consensual. São necessários mais estudos, em adultos saudáveis, um valor de 45 kcal/kg FFM /dia equivale ao balanço energético, mas para mulheres pelo menos 30 kcal/Kg de massa magra parece auxiliar a preservar a função menstrual e a saúde global. Para homens, o limiar ainda não está bem estabelecido.

Na RED-S ocorrem inúmeras alterações fisiológicas como: alterações imunológicas, gastrointestinais, no crescimento e desenvolvimento, cardiovasculares, hematológicas, endócrinas (alterações hormonais), psicológicas, desordens alimentares, saúde óssea e no metabolismo.

Consequências da RED-S na saúde

 (Foto: infoesporte)

Atletas que sofrem de baixa disponibilidade energética, a longo prazo, podem desenvolver deficiências nutricionais (ex: anemia, osteopenia, osteoporose ), fadiga crônica e aumento do risco de infecções e doenças, podendo prejudicar a saúde e o desempenho.

Efeitos potenciais de desempenho da deficiência de energia relativa no esporte

 (Foto: infoesporte)

Tratamento da RED-S

– Aumento da ingestão energética, redução do exercício físico ou associação de ambos.

– Maior atenção à quantidade calórica ofertada na dieta dos praticantes de atividade física. Em especial as mulheres atletas ou aquelas ditas “amadoras ambiciosas”. Dietas restritivas e baixa ingestão energética oferecem riscos à saúde e redução do desempenho esportivo.

– Para mulheres, o balanço energético, ajustando o gasto com o exercício, deve ser de pelo menos 30kcal/kg de massa magra. Pode ser adicionado 300 a 600 calorias ao programa alimentar.

– Pode ser introduzido um dia de descanso.

– Preocupação com qualidade alimentar, quanto maior a variedade de alimentos, maior a chance em atender as recomendações de macronutrientes (carboidratos, proteínas e lipídeos), micronutrientes (vitaminas e minerais) e fitoquímicos. Evite a exclusão de grupos alimentares.

– Adequação à ingestão de alimentos fontes de cálcio e ferro, e caso seja necessário, faça suplementação destes micronutrientes. A vitamina D também deve ser monitorada.

– Atenção ao comportamento alimentar “desordenado”, aos transtornos alimentares e à distorção de imagem corporal.

– Profissionais de saúde devem ter atitude de acolhimento, serem facilitadores e parceiros no acompanhamento de nossos atletas. Trabalhar em equipe interdisciplinar.

1. Mountjoy M, et al. The IOC consensus statement: beyond the female athlete triad – relative energy deficiency in sport (RED-S). British Journal of Sports Medicine. 2014,v.48, n.7, p.491-497

* Doutor Roberto Zagury é mestre em nutrologia pela UFRJ, fundador da Comissão Temporária para o Estudo da Endocrinologia do Exercício e do Esporte da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia), fez pós-graduação em medicina esportiva, é professor da pós-graduação em medicina esportiva da Uningá, membro do Departamento de Atividade Física da SBD (Biênio 2018-19), diretor científico do LPH ( Laboratório de Performance Humana ) da Casa de Saúde São José – RJ, endocrinologista do IEDE, coordenador da residência médica em endocrinologia do Hospital Federal da Lagoa.


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Cris Perroni

Cris Perroni

Especialista em Nutrição Clínica, Nutrição Esportiva, Performance Humana e Emagrecimento. Trabalha com consultoria e assessoria na área de nutrição. Elaboração de Texto e Assessoria em Nutrição para o Site Eu Atleta. Nutricionista da Assessoria Esportiva de Corrida Equipe Filhos do Vento