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No início deste mês uma notícia trouxe espanto pra quem volta e meia compra as convidativas lichias. Conforme publicação do O Globo, baseada em uma pesquisa de cientistas americanos e indianos, crianças indianas morreram por ingerir grande quantidade da fruta de estômago vazio. Isso porque a lichia contém toxinas que inibem a capacidade do organismo de produzir glicose, e esta característica, associada ao baixo nível de açúcar presente no sangue das crianças (pobres e mal nutridas), teria estimulado o surto.

– O que os cientistas constataram é que existe nesta fruta uma toxina que bloqueia a síntese de glicose no organismo, como também bloqueia a obtenção de energia a partir dos ácidos graxos – explicou o fisiologista Turíbio Barros, que contextualiza:

– É claro que para existir uma intoxicação séria que leve à encefalopatia que algumas crianças apresentavam, seria necessário um consumo exageradamente grande da fruta, que é o que parece que acontecia. Também segundo os autores do artigo, há uma suscetibilidade individual, ou seja, esta toxidade não acomete todos os indivíduos que consomem lichia. O que também contribuiu para a gravidade do problema foi o estado de desnutrição que as crianças apresentavam – finalizou.

ENTÃO A LICHIA FAZ MAL? NÃO!

A lichia é uma fruta tropical e subtropical, a espécie Litchi chinensis ssp. chinensis, fruto da Lichieira, pertencente à família Sapindaceae, muito comum na China e no sudeste da Ásia. Os principais produtores da cultura da lichia são: China (maior produtor), Índia, Vietnã, Tailândia, Madagascar e África do Sul. No Brasil, São Paulo é o maior produtor, seguido do sul de Minas Gerais e norte do Paraná. Por aqui a colheita ocorre no final de outubro a início de fevereiro.

A composição nutricional do fruto pode variar bastante dependendo do tipo de local, cultivo, solo e clima. O peso pode variar de 10 a 35 g/ unidade.

COMPOSIÇÃO NUTRICIONAL DA POLPA DA LICHIA (100 G)

Ela é composta principalmente por carboidratos; minerais como cobre, fósforo, potássio, magnésio e zinco; rica em vitamina C e também fonte (em menor escala) de vitaminas do complexo B (riboflavina, niacina e tiamina).

Excelente fonte de substâncias fenólicas como as antocianinas (cianidina-3-rutinosídeo, cianidina-3-glicosídeo, quercetina-3-rutinosídeo e quercetina-3-glicosídeo), os flavonoides (procianidina B4, procianidina B2 e epicatequina) e taninos condensados (proantocianidinas poliméricas).

As antocianinas (potentes antioxidantes) são responsáveis pela coloração avermelhada. A fruta possui casca grossa que deve ser descartada, polpa branca e sabor doce.

Pode ser utilizada fresca, enlatada, desidratada ou na elaboração de produtos ou preparações como sucos, chás, compotas, sorvetes e iogurtes.

Na indústria de cosméticos, a utilização do extrato aquoso é responsável pela fabricação de sabonetes, shampoo, cremes, hidratantes e perfumes.

EuAtleta Lichia Composição (Foto: Eu Atleta | Arte Info)

PROPRIEDADES BENÉFICAS À SAÚDE

Pelo seu alto potencial antioxidante, atua na prevenção de doenças cardiovasculares, inflamações, câncer, hipertensão, diabetes. Além disso, exerce ação neuro protetora e anti-envelhecimento precoce.

Estudo realizado por GUO e colaboradores (2004) em ratos diabéticos tipo 2, utilizando extrato aquoso da semente da lichia, observou redução dos níveis do fator de necrose tumoral alfa (TNF-α), da hiperleptinemia e da hiperinsulinemia, antagonizou a resistência e melhorou a sensibilidade à insulina, reajustou o metabolismo irregular de glicose, além de demonstrar a ação antioxidante e melhora das funções do fígado e rim.

Referências: 
1. LOPES, Marisa de Oliveira. Litchi chinensis Sonn.: ESTUDOS MICROBIOLÓGICOS E FITOQUÍMICOS. Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Ciências Farmacêuticas como parte dos requisitos para obtenção do título de mestre em Ciências Farmacêuticas pela Universidade Federal de Alfenas 2014.
2.MOTTA, Eduardo Lopes. Avaliação da composição nutricional e atividade antioxidante de Litchi chinensis Sonn. (“Lichia”) cultivada no Brasil. Dissertação apresentada à Faculdade de Farmácia da Universidade Federal do Rio de Janeiro como requisito para a obtenção do título de Mestre no Programa de Pós graduação em Ciências Farmacêuticas. UFRJ, 2009
3.QUEIROZ, E R e colaboradores. Constituintes químicos das frações de lichia in natura e submetidas à secagem: potencial nutricional dos subprodutos. Revista Brasileira de Fruticultura. Vol. 34 n.4 Jaboticabal Dez. 2012


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Cris Perroni

Cris Perroni

Nutricionista Clínica especialista em Obesidade e Emagrecimento, Nutrição Esportiva e Performance Humana. Consultora na área de nutrição. Elaboração de Texto e Assessoria em Nutrição para o Site Eu Atleta. Nutricionista da Assessoria Esportiva de Corrida Equipe Filhos do Vento