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O remo é uma modalidade esportiva realizada em barco (ou canoa) na água podendo conter de um a oito atletas, com movimentos cíclicos e coordenados de membros inferiores e superiores de forma sincronizada. Também existe o remo ergômetro, que é um equipamento encontrado em academias, que simula a remada em aulas de 30 a 45 minutos.

Com categoria de peso, o remo demanda alto gasto energético e volume de treino. Atletas de elite treinam em média seis vezes por semana em dois turnos. Além de atividades de resistência (remo, bicicleta, corrida) fazem também treinamento de força, como a musculação.

As competições são de alta intensidade, força muscular e explosão. Por ser uma modalidade com categoria por peso, muitos atletas utilizam de técnicas rápidas para perda de peso próximo às provas, comprometendo seu rendimento, diminuindo a potência e a hidratação, levandoriscos à saúde.

A redução de peso deve ser feita através da queima de gordura corporal e não com perda de massa muscular e água, como normalmente acontece com a prática de dietas restritivas (dietas de baixo valor calórico ou dieta cetogênica por exemplo). O ideal seria a manutenção de um peso próximo à categoria ao longo do ano para que não haja necessidade de estratégias radicais.

Como é uma prova relativamente rápida, a maior preocupação é com a alimentação do dia a dia. Os alimentos e suplementos que devem ser utilizados antes, durante e após o treino. Não existe reposição de líquidos, eletrólitos ou carboidratos durante a competição. O maior papel na elaboração de estratégias nutricionais em relação à alimentação e suplementação ocorre nos treinos e dias que antecedem e sucedem a competição.

Os principais objetivos das estratégias nutricionais são: recuperação do glicogênio muscular e hepático, manutenção da glicemia, aumento da massa muscular e retardar a fadiga durante oexercício. Os baixos níveis de glicogênio muscular e hepático podem levar a fadiga, diminuição do rendimento e exaustão.

Importância da hidratação:
É uma questão importante e negligenciada em inúmeras modalidades esportivas. O estresse do exercício pode ser acentuado pela desidratação, que aumenta a temperatura corporal e pode prejudicar as respostas fisiológicas e odesempenho físico, com riscos para a saúde. Esses efeitos podem ocorrer mesmo que ela seja moderada agravando-se à medida em que ela se acentua.

A desidratação acima de 2 a 3% de perda do peso corporal pode afetar a performance aeróbia e o desempenho mental/cognitivo principalmente em ambientes quentes. Em torno de 4 a 6% de perda de peso corporal pode ocorrer fadiga térmica; a partir de 6% existe risco de choque térmico, coma e morte.

A média recomendada é de 400 a 800ml de água por hora (recomendação “extrapolada” da maratona). Como pode ser feita a individualização da hidratação:

• Antes de sair para o treino beba de 200 a 500 ml de água
• Leve uma garrafa com água (um litro) no barco
• Se pese antes de começar o treino e anote o peso
• Se pese imediatamente após o treino e anote o peso
• Anote por quanto tempo treinou e o quanto bebeu de líquido

O ideal é que o atleta não ganhe mais que 1% do peso e não perca mais do 1 % do peso corporal, sinal que conseguiu repor as perdas do suor com a ingestão de líquidos durante o treino.

Exemplo:
Atleta de 70kg, após treino de uma hora só pode perder até 700g de peso corporal (perda de peso maior é considerada desidratação).

Qual suplemento utilizar, quantidade/dose e em qual momento deve ser usado depende da fase do treinamento, duração, intensidade e objetivos a serem alcançados:

• Suplementação de carboidratos durante treino acima de uma hora: gel, jujuba e bebida esportiva. Utilizar 30 a 60g de carboidratos por hora..
• Whey protein/ proteína da soja, da ervilha ou do arroz: para aumento da massa muscular, diminuir o catabolismo proteico, acelerar a recuperação muscular.
• Para recuperação (suplementos proteicos associados a carboidratos)
• Suplementos prontos (R4, Endurox, Accelerade, Recovery…), Whey protein + dextrose, entre outras combinações.

BCAA
para evitar o catabolismo proteico e retardar a fadiga, melhora a sensação de dor e acelera a recuperação muscular.

Beta-alanina (atualmente não está liberada sua comercialização no Brasil):
ação tamponante, remove os íons H+/ diminui a acidez muscular e tem como objetivo atrasar a ocorrência da fadiga muscular.

Glutamina:
atua na imunologia, alimenta as células intestinais, melhora a absorção intestinal, regula a síntese e degradação proteica. Atua na manutenção do equilíbrio ácido-base.

Creatina:
deve ser utilizada na fase de treinamento onde o objetivo é o ganho de massa muscular, aumento da força e potência, redução da acidez muscular e atenuando a fadiga. Bom para “tiros” ou “sprint” e aumento da massa muscular/ hipertrofia muscular.

Literatura Utilizada:
• Instituto De Pesquisa, Ensino e Gestão em Saúde (IPGS). Apostila do Curso: Suplementação Nutricional Conforme Modalidade Esportiva.
• Matias Bertonatti. Alimentação e Somatotipo relacionado com a atividade do esporte Remo . 2012. Site www.remobrasil.com
• Noakes T; IMMDA. Fluid replacement during marathon running. Clin J Sport Med, Vol. 13, Num. 5. 2003. p. 309-318.
• Perroni, Cristiane. PERFIL DO ESTADO DE HIDRATAÇÃO DE CORREDORES AMADORES NA CIDADE DO RIO DE JANEIRO. Programa de Pós-Graduação Latu-Sensu da Universidade Estácio de Sá – Bases Nutricionais da Atividade Física. Março, 2014.
• Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte. Modificações Dietéticas, Reposição Hídrica, Suplementos Alimentares e Drogas: comprovação de ação erggênica e potenciais riscos para a saúde. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. 2009


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Cris Perroni

Cris Perroni

Nutricionista Clínica especialista em Obesidade e Emagrecimento, Nutrição Esportiva e Performance Humana. Consultora na área de nutrição. Elaboração de Texto e Assessoria em Nutrição para o Site Eu Atleta. Nutricionista da Assessoria Esportiva de Corrida Equipe Filhos do Vento