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Na verdade, NÃO! Existem alimentos que possuem baixíssima densidade calórica. Eles sempre foram muito estimulados em dietas para emagrecimento por praticamente não conterem na sua composição nutricional gorduras e terem pequena quantidade de carboidratos, grande quantidade de água e por gastarem calorias para serem metabolizados pelo corpo durante o processo de mastigação, digestão e absorção.

Desta forma, surgiu há alguns anos nos Estados Unidos e com alguns adeptos no Brasil a dieta “Negative Calorie Diet” (dieta de caloria negativa, em tradução livre). A ideia é de que estes alimentos teriam maior gasto calórico durante o processo de metabolização do que o seu conteúdo de calorias totais. Entretanto, sem comprovação científica e sucesso no tratamento da perda de peso.

Que alimentos seriam estes “velhos conhecidos”
– Hortaliças A: alface, repolho, espinafre, bertalha, berinjela, cogumelos, couve-flor, brócolis, aipo, nabo, aspargos, agrião, pepino, alho…
– Hortaliça B: cenoura ralada (maior rendimento e mais fibras do que cozida), vagem e abobrinha
– Frutas: principalmente as vermelho arroxeadas – morango, jabuticaba, framboesa, “berries”, melão, melancia (frutas que contém muita água) maçã, grapefruit.

ESTES ALIMENTOS NÃO SÃO EMAGRECEDORES, não basta ingeri-los para conseguirmos emagrecer. Eles devem ter o uso estimulado pelo valor calórico reduzido, podendo ser consumidos em maior quantidade e de forma mais livre, geram saciedade, possuem alto teor de fibras, vitaminas e minerais. Mas lembre-se do cuidado no preparo, evitando a utilização de óleos/gorduras/ frituras. Dê preferência as hortaliças cruas, cozidas no vapor, assadas ou em refogados rápidos com pouquíssima gordura (por exemplo no azeite virgem).

A eficácia da perda de peso está relacionada ao BALANÇO ENERGÉTICO NEGATIVO, através da redução da ingestão calórica dos alimentos e aumento o gasto energético através do exercício físico regular.

Não confundir “alimentos com calorias negativas” (não existem) com alimentos termogênicos:

Muito se fala do efeito térmico dos alimentos (alimentos termogênicos) que é o aumento no gasto energético medido pelo calor produzido após ingestão de alimentos para que ocorra a digestão, absorção e armazenamento dos substratos energéticos e representa cerca de 5 a 10% do gasto energético total do indivíduo.

Fatores que estão associados ao efeito termogênico:

– Tamanho da refeição: ingestão de alimentos de baixo valor calórico que podem ser consumidos em maior quantidade como hortaliça A e algumas frutas.
– Composição da dieta em macronutrientes: durante a metabolização dos alimentos obtém-se “gasto” de energia com participação da proteína em 25 a 30%, carboidratos 6 a 8% e lipídeos
2 a 3 %.
– Alimentos termogênicos (participação na aceleração metabólica em torno de 5% no metabolismo): pimentas, gengibre, chá verde, cafeína (café), canela.
– Presença de fibras (alimentos integrais) e alimentos in natura: mais trabalho, maior gasto calórico para mastigar\ digerir \absorver\ metabolizar os nutrientes.

Para a redução da gordura corporal é preciso diminuir a ingestão calórica através do controle da qualidade (evitar alimentos de alta densidade calórica) e quantidade (reduzir o tamanho das porções) e aumentar o gasto energético através da prática esportiva e atividades do dia a dia,FAZER O BALANÇO ENERGÉTICO NEGATIVO. As ações devem ser em conjunto para o sucesso do tratamento.

Excluir grupos de alimentos pode desencadear carências nutricionais. Dietas da moda, sem comprovação científica, podem trazer riscos à saúde e quando promovem perda de peso dificilmente conseguem ser mantidas.


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Cris Perroni

Cris Perroni

Nutricionista Clínica especialista em Obesidade e Emagrecimento, Nutrição Esportiva e Performance Humana. Consultora na área de nutrição. Elaboração de Texto e Assessoria em Nutrição para o Site Eu Atleta. Nutricionista da Assessoria Esportiva de Corrida Equipe Filhos do Vento